sexta-feira, 4 de abril de 2014

UM ABISMO, O AMOR

Uma vez me falaram algo sobre o quanto era verdade que em certo momento da nossa vida, tudo que queremos é alguém pra passar as tardes de domingo ou as noites de algum dia da semana ou qualquer dia desses em que não temos nada pra fazer porque sabemos que queríamos ter aquela pessoa ao nosso lado.
Quando ouvi isso, sabia que era verdade o que me falavam, já tinha sentido isso uma ou duas vezes na vida por alguém. Claro que nunca tinha planejado que acontecesse, quer dizer, essa vontade de estar com só uma pessoa o tempo todo. Isso pode trazer muita dor, na verdade isso é quase uma regra, sabe, doer. E ai sempre que termina, prometemos que não vamos repetir o feito, que vamos viver sem amar ninguém. Bobagem. "É impossível ser feliz sozinho", e como é... Ainda assim juramos que nunca mais amaremos de novo, só por jurar assim, pra tirar o peso da consciência. Mas a verdade é que, por mais que tentemos fugir, todos fomos feitos pra viver de amor, ser amor, de amor.
E aí tem sempre uma hora em que decidimos arriscar - ou não decidimos, na maior parte das vezes. Quando vemos estamos lá, de novo, a ponto de pular de um abismo sem saber se alguém vai nos segurar lá em baixo. Temos medo, frio na barriga, mas o coração acelera e perdemos a respiração com a ideia de sermos segurados, no lugar de atingir o chão.
A verdade é que eu queria ser abraçado quando tudo parece que está errado, queria ter alguém olhando pra mim com olhos apaixonados, queria alguém pra me carregar e me salvar quando fosse necessário. E acho que mesmo que tenha meu coração quebrado mil e uma vezes, insistiria em pular novamente porque, deixe-me lhe contar um segredo, o encantamento de ser segurado e só a viagem até lá, o número de incertezas recompensadas caso aconteça, cobrem qualquer uma das vezes em que isso não ocorreu...
E talvez esteja aí o segredo da simplicidade complexa que é a vida. Porque todos somos amor, não importa o quanto queiramos fugir disso.